O SORRISO DE PANDORA

“Jamais reconheci e nem reconhecerei a autoridade de nenhuma pretensa divindade, de alguma autoridade robotizada, demoníaca ou evolutiva que me afronte com alguma acusação de pecadora, herege, traidora ou o que seja. Não há um só, dentre todos os viventes, a quem eu considere mais do que a mim mesma. Contudo nada existe em mim que me permita sentir-me melhor do que qualquer outro vivente. Respeito todos, mas a ninguém me submeto. Rendo-me à beleza de um simples torrão de terra, à de uma gotícula de água, à de uma flor, à de um sorriso de qualquer face, mas não me rendo a qualquer autoridade instituída pela estupidez evolutiva da hora. Enfim, nada imponho sobre os ombros alheios, mas nada permito que me seja imposto de bom grado Libertei-me do peso desses conceitos equivocados e assumi-me como agente do processo de me dignificar a mim mesma, como também a vida que me é dispensada. Procuro homenageá-la com as minhas posturas e atitudes e nada mais almejo. É tudo o que posso dizer aqueles a quem considero meus filhos e filhas da Terra. “ In O SORRISO DE PANDORA, Jan Val Ellam

sexta-feira, junho 16, 2006

“Croire aux images est le secret du dinamysme psychique” G.B.

imagem de Monserrat

“ O que acontece nos sonhos, acontece na arte: o imprevisível não tem de justificar-se, tem de ser entendido a uma luz mais vasta, existe de tão pleno direito como o que é previsível. “A ciência pára nas fronteiras da lógica”, diz Jung, “mas não a natureza, que floresce onde nehuma teoria ainda penetrou.” Ou, numa linguagem directamente simbólica:
“Cinzenta, caro amigo, é toda a teoria, /verde a árvore dourada da vida” (Fausto,vv2038-2039)

(…)
O inconsciente colectivo não tem fundo, não tem forma, não pode conhecer-se a não ser nas suas manifestações, imagens arquétipicas, ou primordias, mitos, e símbolos.
É o reino das Mães (…), onde não existe espaço nem tempo, e para o qual não há caminho. É o reino de solidão, de vazio. Onde não se ouve o passo que se dá, onde nada de sólido permite que se pare. “No que tu chamas Nada”, diz Fausto, “espero encontrar o Tudo”(…) O Nada onde se encontra o Tudo, o inferno (o abismo) que é o céu, é o símbolo do inconsciente, matriz (daí a ideia das Mães), da realidade criada. O inconsciente, como o reino das mães, é o espaço indefinível “das formas possíveis” “Formação e transformação” é a isso que assiste, com as Mães, que não vêem as coisas, vêem somentew “esquemas”

(…)
LITERATURA E ALQUIMIA
Yvete K.Centeno

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