sexta-feira, junho 28, 2013

MULHERES & DEUSAS : OS VALORES FEMININOS FORAM REJEITADOS

MULHERES & DEUSAS : OS VALORES FEMININOS FORAM REJEITADOS: "Há mais de cinco mil anos que é proibido ser mulher… No início das eras existia a Grande Deusa, e a Deusa era a própria Terra, Gaia..

Só assim ELA voltará, mas voltará em cada Mulher que tiver integrado a sua Sombra, quando ela reunir todos os seus pedaços, os bocados de mulher que foram eleitos e outros que foram rebaixados, e deixar de se afirmar em mil nomes divididos – sempre umas contra as outras - seja como marxista, católica, ateia, mãe solteira, viúva, machista, feminista, lésbica, histérica, mãe, amante, prostituta ou esposa, quando ela for em si uma só e o Todo em si mesma.rlp

A POTÊNCIA FEMININA

 
 
COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO ANTERIOR...
 
"O que é curioso neste texto, é que há semelhança a Cristo, crucificado. Um homem se sacrificou em nome de um povo, o mesmo que o crucificou diante de Pilatos. O povo crucificou a espiritualidade naquele momento... de alguma forma, o reino do homem imperou nestes últimos séculos, e a mulher, acabou ela sendo A Crucificada.

A verdade, é que a Era Matricial, ela afundou, por algum erro... a Era Actual, Patricial, está a caminho da sua ruptura... quantos séculos ainda hão-de persistir, isso não parece ser do nosso livre - arbítrio.
Quando se tenta matar o passado, exterminar qualquer memória, qualquer registo, acaba-se por se perder a origem, e portanto, falar da Lemúria, ou Antigo Mundo - MU, ou, até da Atlântida fica sempre essa dúvida de não passarem de lendas. É assim, que o que é ser feminino, porque tentaram apagar qualquer passado e ele implica passado pessoal, porque é dele que nasce a memória e os dizeres... é passado de boca em boca e quando se mata para não se lembrar, perde-se o elo... assim, encontrar o feminino, é como procurar uma agulha no palheiro.
Assim, terá existido uma mulher crucificada numa outra era, a era matricial? O que os homens representavam? Estaremos no pólo oposto nesta era? Ora se o passado não volta, então, desta polarização de eras, e consequentemente inversão de papeis dentro de cada era, do que nascerá daqui, que não terá o rosto de nenhuma delas?

«Sou um prato de perguntas, de inquietações... porque quanto mais certezas são dadas, mais incertezas me consomem!»

(ANÓNIMO)

A POTÊNCIA FEMININA
 
"As histórias da antiguidade que contavam a magia da mulher, a criadora, aquela que é capaz de dar à luz, a que recebe o mistério do sangue – a força vital – e que é capaz de devolver essa força vital à Terra foram soterradas, esquecidas. Onde estão as histórias da Deusa – aquela que ama, sente e nutre? A espécie masculina costumava possuir a energia da Deusa dentro de si, também, e sente necessidade dessa energia.(...)
Homens e mulheres devem complementar-se, jamais confrontarem-se.(...)
Vocês não têm um panteão de imagens femininas criadoras poderosas, como o masculino que sirva de padrão da imagem positiva da força feminina. Assim os homens esforçam-se por ser másculos e as mulheres para adquirir a força através da vibração masculina, não possuindo nenhum dos dois uma visão clara da potência feminina. Criem essa imagem. Comecem a reconhecer a riqueza da energia do lado feminino do EU, que é intuição, receptividade, criatividade, compaixão e nutrição." (...)


in MENSAGEIROS DO AMANHECER B. M.
Ver mais

ABRACEM A DEUSA EM SI

 


 
 
"Abracem a Deusa e a concepção divina da mulher que ela encerra. Peçam-lhe que vos revele esse eu feminino"

"A CRUCIFICAÇÃO DA DEUSA - A ANULAÇÃO DAS CONVICÇÕES DOS VALORES FEMININOS - É O MAIOR DOS NOSSOS E MAIS PENOSOS DRAMAS. MAS A CRUCIFICAÇÃO É APENAS UM PRELÚDIO DA RESSURREIÇÃO DA DEUSA."

Excertos de O VALOR DE UMA MULHER de Marian Willson

(RESPOSTA AO COMENTÁRIO DE ANÓNIMO DEIXADO EM CAIXA...)
 
(...)
"Buscamos movimentos de consciência.

A energia feminina, portadora da magia e da intuição, concordou em abdicar dessas qualidades – energia feminina significando não apenas os seres fisicamente femininos, mas a consciência feminina.
O movimento patriarcal nos últimos cinco mil anos afastou-se completamente do processo do nascimento para poder dedicar-se ao desenvolvimento de armas e ao contínuo aniquilamento dos seres humanos.
...

As mulheres estão com um “nó na garganta” porque concordaram, há quatro ou cinco mil anos, manter silêncio acerca da magia e da intuição que representavam e conheciam como parte da chama gémea. A chama gémea consiste na energia masculina e feminina coexistindo num só corpo, quer seja ele fisicamente masculino ou feminino.
Durante este período de mudança, será necessário que as mulheres desatem o “nó da garganta” e se permitam falar. Chegou a hora."


BARBARA MARCINIAK, Mensageiros do Amanhecer
Ed. Ground, São Paulo, 1992

quinta-feira, junho 27, 2013

AVE MARIS NOSTRA


O PULSAR DO CORAÇÃO DA MÃE...

"Quanto às identificações e insígnias a ver com MARIZ, a sua saudação consiste em espalmar a mão sobre o peito e incliná-lo ligeiramente para diante, sendo o seu lema e “santo-e-senha” AVE-MARE [e por vezes, AVE MARIS NOSTRA], gesto e verbo ambos de homenagem à MÃE DIVINA, à VIRGEM MARIA ou VIRGINI MARIAE, que também é MARE e MARIS ou MARIZ, pois MARIZ é a MÃE e a MÃE é a KUNDALINI, o FOGO CRIADOR DO ESPÍRITO SANTO, assinalado pela “serpente de fogo” adormecida no cóccix da coluna vertebral, despertada nos ADEPTOS PERFEITOS e elevada até ao topo da cabeça, fazendo brilhar de Sabedoria a Mente e o Coração no peito transbordante de Amor, o que justifica a referida saudação."


in Lusophia – Vitor Manuel Adrião

terça-feira, junho 25, 2013

A LUA E AS FÉRIAS...

 




 "Me niego a vivir en un mundo ordinario, como una mujer ordinaria. A establecer relaciones ordinarias. Necesito el éxtasis. Soy una neurótica, en el sentido de que vivo mi mundo. No me adaptaré al mundo...me adapto a mí misma" - Anaïs Nin: "Diarios". Fragmeto.

 
 UM  VERÃO...atrasado...

O Verão finalmente despontou aqui para os nossos lados...Ontem já lhe sentia o cheiro...cheiro de quente...sim, e o ar que entrava pela janela era um sopro envolvente, quase sensual...porque roçava na pele e no rosto como uma caricia inesperada...e era suave e havia silêncio...e fazia-me lembrar não sei o quê...talvez quando era adolescente e inocente...?
 
Percebo que o Verão nos chame para fantasias e sonhos...para férias...E como tantas vezes aconteceu com o despontar de por de sol...nós mulheres, românticas inveteradas, pensamos logo num amor...que temos e não temos, que foi e já não é ou que falhou...mas mesmo assim continuamos a sonhar com o príncipe encantado ou com o milagre da "alma gémea"...e depressa nos esquecemos de nós!
Isto é secular, desde que o romantismo apareceu, a canção trovadoresca e os cavaleiros e as rainhas...depois já no nosso tempo de vida, a minha e as vossas gerações...e nós continuamos a sonhar... com "o engenheiro de olhos verdes" rico e macho, estilo Corin Tellado - famosa romancista de cordel das gerações da minha mãe e irmã e da minha também - mas a vossa já tem outros requintes, sei lá, Margarida Rebelo Pinto ou outras/os que nem lembro o nome...romances de mulheres modernas e livres que falam de sexo e de engates com a mesma facilidade que os homens e colocando-se na mesma posição de paixão e desejo objectivo - "vem cá que és meu" - iguaizinhas aos homens, claro mesmo que não sejam feministas...
 
E por feministas...quando digo que o não sou, pensam-me logo mal...mas afinal as feministas o que queriam? Ser iguais aos homens...ter os mesmo direitos etc. E venceram e hoje dizem-me, foi importante, sim, foi, mas olhem bem o reverso...e vejam se em contrapartida há mais respeito pela mulher ou se ela ganhou em dignidade...Sejam honestas... E depois olhem todos estes escritores e autores novos agora, homens e mulheres, que tratam as mulheres como objectos sexuais, sedentas de sexo, e de consumo libidinoso, que em nome de uma pretensa liberdade e igualdade,  tratam as mulheres como coisas, cheios de malabarismos de linguagem, sem poesia nem profundidade nenhuma, mas com imensos efeitos especiais...como "as mil sombras de grey"...de gravatas e chicotes etc. sim, e mesmo esta "literatura" vendida on line, em que nada dá o sentido de vida verdadeira e do real valor da mulher, mas infelizmente são as mulheres que caiem nesse logro e os compram, são elas que lhes dão toda a projecção. E toda essa "literatura" que alimenta a fantasia sexual de milhões de mulheres no mundo e as aprisiona no mesmo padrão de escrava e submissa, rendida ao desejo, não passa de literatura de cordel...em que a palavra não é nem nunca foi importante senão como pedra arremessada contra o charco da sexualidade abjecta...depreciativa e desprestigiante da Mulher verdadeira.
 
Ai, já me desviei do início e até parecia que ia tão bem, poética e tal e até sensual, ai ai...é da idade...esqueço as coisas e já não sonho nem alimento fantasias eróticas e outras, sim já disse isto. Sou uma velha a caminho do nada...ou da morte...se não acreditar que a Vida é algo mais, muito mais do que uns suspiros e uns ais...e esta miséria toda que vimos nos filmes e nos best sellers...e que enchem os écrans e conspurcam tudo a nossa volta... e é penoso pensar como as mulheres em geral vivem de tudo isso e a vida real lhes passa ao lado...e quando dão por elas...estão velhas como eu mas sem esperança de nada e sem acreditar que a vida vale sempre apena ser vivida independentemente da idade e do corpo, gordo ou magro velho ou flácido, e que sem dúvida a VIDA e o AMOR são muito mais do que o sexo e a beleza aparente de um corpo de plástico ou silicone...cosméticos modas e operações plásticas...

rlp
 
 

segunda-feira, junho 24, 2013

ACEITO O RISCO


 
 
ESCREVER...

"Escrever Minhas intuições se tornam mais claras ao esforço de transpô-las em palavras. É neste sentido, pois, que escrever me é uma necessidade. De um lado, porque escrever é um modo de não mentir o sentimento (a transfiguração involuntária da imaginação é apenas um modo de chegar); de outro lado, escrevo pela incapacidade de entender, sem ser através do processo de escrever. Se tomo um ar hermético, é que não só o principal é não mentir o sentimento como porque tenho incapacidade de transpô-lo de um modo claro sem que o minta — mentir o pensamento seria tirar a única alegria de escrever. Assim, tantas vezes tomo um ar involuntariamente hermético, o que acho bem chato nos outros. Depois da coisa escrita, eu poderia friamente torná-la mais clara? Mas é que sou obstinada. E por... outro lado, respeito uma certa clareza peculiar ao mistério natural, não substituível por clareza outra nenhuma. E também porque acredito que a coisa se esclarece sozinha com o tempo: assim como num copo de água, uma vez depositado no fundo o que quer que seja, a água fica clara. Se jamais a água ficar limpa, pior para mim. Aceito o risco. Aceitei risco bem maior, como todo o mundo que vive. E se aceito o risco não é por liberdade arbitrária ou inconsciência ou arrogância: a cada dia que acordo, por hábito até, aceito o risco. Sempre tive um profundo senso de aventura, e a palavra profundo está aí querendo dizer inerente. Este senso de aventura é o que me dá o que tenho de aproximação mais isenta e real em relação a viver e, de cambulhada, a escrever."

Clarice Lispector, in Crónicas no 'Jornal do Brasil (1969)

sexta-feira, junho 21, 2013

O MEDO DAS DOENÇAS...

 


 
Porque fogem as mulheres do Seu Labirinto…

Tudo o que sejam trabalhos de nível espiritual, patriarcal, xamânico, tântrico, cultural ou artístico, tudo o que sejam as expressões lúdicas do seu ser em expansão, elas aderem com uma certa facilidade…mas quando se trata de aprofundarem uma consciência do seu lado oculto e da parte essencial de si mesmas, a mais difícil e controversa, essa é a parte que não ousam enfrentar, e assim recuam e mantêm-se apenas na superfície de um entendimento qualquer sobre a deusa ou sobre as deusas na mulher; há porém um conhecimento que precisa de um maior aprofundamento em si e  que significa  ir muito para além de se frequentarem cursos Wicca, rituais, workshops, irem a um Festival da Deusa, ou mesmo conhecerem os seus poderes, serem médiuns ou curadoras. E esse trabalho é enfrentarem o seu abismo pessoal, é irem ao mais fundo do seu Labirinto, olharem-se no espelho e verem-se do outro lado, o verso e o reverso de si…e amarem-se como são…aceitarem-se como são e a partir daí começar então o trabalho de escavação psíquica...Sim, ir ao fundo da nossa Psique, resgatar o outro lado de nós...o oculto e o denigrido o apagado e o rejeitado...pela história e a cultura dos homens!
Aí elas temem e hesitam, e recuam…

"A aprendizagem da realidade sem rosto é dolorosa, assusta (porque destrói o ego) mas é uma aprendizagem que se faz" - Jung
 
Sem dúvida que se trata do mais difícil em nós  é muito doloroso: no caso da mulher particularmente ela é um ser demasiado ferido e precisa essencialmente curar-se a si própria antes de querer curar ou ajudar quem quer que seja…e enquanto a mulher exercer o seu Dom - e este é o ponto da minha questão a questão para mim crucial neste tempo de transição de paradigma - que a mulher integre as duas mulheres em si cindidas pelo patriarcado…porque fazer trabalhos os mais incríveis e variados que sejam, sem integrar as duas mulheres cindidas pela religião, que as separe e divide em estereótipos, ela não pode integrar mais nada de forma saudável, porque o medo e o antagonismo entre a “outra” mulher sombra que a ameaça…não permitirá criar essa irmandade sonhada e tão desejada.
Há sempre um dia em que a mulher se torna inimiga da outra mulher…mesmo que não o ouse dizer ou mesmo ter disso consciência, ela vai sempre odiar a mulher que, quando menos esperar, a espelhe na sua sombra a mais dolorosa…e quanto mais fugir dela mais ela a perseguirá, mais a fará sofrer e as suas irmãs….
(...)
2012
rlp

OS PODERES OCULTOS

 

"E aqui existe um mistério, e eu não o compreendo: Sem esse toque de algo alheio e — até mesmo — selvagem, sem as terríveis energias do lado avesso da saúde, da sanidade e do juízo, nada funciona, nada pode funcionar. Pois afirmo que a bondade — aquilo que nós, em nosso eu diurno e comum, chamamos bondade: o comum, o decente — nada é sem os poderes ocultos que se despejam continuamente do lado da sombra."

Doris Lessing

O QUE É SER MULHER?

 
 
É SER A MULHER RAÍZ...
 
MAS É A MULHER IGUAL AO HOMEM? NÃO.

 ... "não basta que a mulher seja igual ao homem: ela deve voltar a ser a verdadeira mulher, que desapareceu. Como e porquê? Louis Pauwels - gostem ou não gostem - disse-nos, em sua "Conferência imaginária" intitulada:

A MULHER É RARA
...
"O problema é que quase não há mais mulheres. Sustento que as mulheres desapareceram, que houve uma catástrofe, que a raça das mulheres foi dispersada, aniquilada sobe os nossos próprios olhos, que não puderam ver.
Senhores, a mulher, a descendente do paleolítico e do neolítico, a nossa fêmea e nossa deusa, o ser que chamaria de mulher do homem, e que já não sabemos o que é, foi perseguida, atingida em seu corpo físico e em seu corpo mental, e devolvida ao nada!"
"Senhores, o ser que chamamos de mulher não é A mulher. É uma degenerescência, uma cópia. A essência não está aí, nossa alegria e nossa salvação não estão aí"...Chamamos mulheres a seres que dela não têm senão a aparência, tomamos em nossos braços imitações de uma espécie inteiramente ou quase destruída.
(…)
Mas examinemos esse crime. Extermínio físico em fogueiras: evocarei as centenas de milhares de mulheres, chamadas de bruxas e queimadas como tais, e os outros milhões de mulheres vencidas e transformadas pelo medo.
(...)
Extermínio pela propaganda, arma mais certeira que todas as outras...Guerra revolucionária empreendida pela Cavalaria contra a mulher verdadeira a favor de um novo ídolo. E enfim num plano mais amplo, mais misterioso e concomitante, mutação decadente da espécie. De tal forma que o ser fêmeo autêntico foi substituído por um ser diferente. "


in TANTRA - O CULTO DA FEMININLIDADE
de André Van Lysebeth
 

terça-feira, junho 18, 2013

FEZ HOJE 3 ANOS QUE JOSÉ SARAMAGO MORREU

 
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

"A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio. É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica. Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade e com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e à violência. Direito a usar o que consideravam seu. Este novo acto de violência de género, mais os que se produziram neste fim-de-semana, em Madrid uma menina assassinada, em Toledo uma mulher de 33 anos morta diante da sua filha de seis, deveriam ter feito sair os homens à rua. Talvez cem mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia."

in DN - 2009
 
JOSÉ SARAMAGO

CORPO E CULTURA...

 
"A nossa cultura centrada no corpo, coloca uma enorme ênfase no corpo físico e na sua aparência. Isto origina problemas e não só às mulheres gordas; as mulheres magras ou mesmo as mulheres que se consideram pouco atraentes também sofrem com isso. Estes problemas têm origem no facto de, na sociedade actual, se ‘adorar’ o corpo magro.
As culturas antigas honravam a mulher encorpada com os seus seios grandes e ancas voluptuosas porque se julgava que estas mulheres eram mais férte
is.
Parece que redefinimos a ideia de belo. Parte do que está errado com a nossa sexualidade hoje em dia reside no facto de tudo ser tão superficial. Olhamos para uma coisa e dizemos “Isto é o que devemos desejar”. E isto acontece porque não vamos ao fundo do nosso ser. Tudo acontece à superfície.
Muitas mulheres levam esta questão para a cama. Não querem ser despidas ou vistas e fazem sexo às escuras para se esconderem. E isto é a morte da paixão. Afecta a nossa autoconfiança, a forma como nos relacionamos com os outros e diminui-nos aos nossos olhos.
Há uma forma fácil de ultrapassar isto? Não, mas o que posso dizer que me ajudou a mim, foi mover-me para uma consciência mais profunda de como carrego a energia do sagrado feminino e da deusa dentro do meu corpo. Quando sinto que sou bela num conceito mais vasto do que a minha aparência, eu começo a valorizar-me. Caminho de forma audaciosa, com uns belos seios e ancas voluptuosas e vejo-me de forma diferente.
Os homens não ficam atraídos simplesmente pela minha aparência mas também pela forma como me apresento, como me sinto em relação a mim, pelo quão autoconfiante e sexy eu sou. Só lamento não me ter sentido assim aos trinta, altura em que era tão influenciável, com tão baixa auto estima e o meu casamento se desmoronou. Eu sentia-me inadequada. Alcancei esta consciência mais tarde e quero na verdade que as mulheres mais jovens percebam que a sua sensualidade vem da forma como se sentem em relação a elas próprias."


Kerry Ryan, uma sacerdotisa da Deusa

segunda-feira, junho 17, 2013

O QUE É SER FEMININA?

UMA REACÇÃO CONTRÁRIA...ao feminino comum...

(MAS O QUE É SER VERDADERIAMENTE FEMININA?*)


“Por que você cortou o cabelo assim?”

Ninguém pergunta para um homem o motivo dele passar a máquina na cabeça, mas não custa responder:
Primeiro, porque acho bonito ter cabelos curtos.
Quando eu era criança usava o cabelo até a cintura. Um dia minha mãe disse que queria fazer um aplique e eu, com uns 10 anos, ofereci toda feliz o meu cabelo pra ela. Quando chegamos no salão eu pedi um corte igual ao da Xuxa! Mas a cabeleireira disse que se deixasse tão curtinho assim demoraria muito pra crescer e negou. Cortou que nem uma tigelinha e eu, que já era motivo de bullying na escola por vários outros motivos, ganhei mais um. Traumatizei. Mas aos 17 anos minha vontade de ter cabelos curtos voltou e consegui realizar o desejo. O cabelo cortado vendi para o salão, para de novo virar aplique (dica: cabelos são um bom negócio!) Desde então sempre mantive a cabeça leve: curto ou raspado.

- Você não se sente menos feminina?


É claro! Também me sinto menos feminina porque não pinto as unhas. Porque não uso brincos, pulseiras e colares. Porque não uso salto alto e maquiagem (que ficam restritos às festas fetichistas). Porque não me depilo regularmente. Porque não acho divertido fazer compras. Porque não sou ciumenta e possessiva. Porque abro potes sozinha. Porque sei o que é a regra do impedimento.
Se for considerar o que a nossa sociedade construiu como “feminino” eu sou, como diria Rita Lee, “mais macho que muito homem”.


Mas e daí? Desde quando ser feminina é uma necessidade?

E os homens?



Sim, sou hetero e me atraio por alguns deles. Mas, por incrível que pareça, homens não são responsáveis pelas minhas escolhas capilares.
Uma coisa que me deixa triste é ver mulheres que trocam o discurso do “me odeio porque sou gorda” pelo “agora sou feliz porque sei que tem homem que gosta de gorda”.
Ser careca me economiza o trabalho de afastar homens que acham que mulheres devem ter cabelos compridos esvoaçantes? Sim! Mas dizer que minha escolha cabelística foi feita por causa disso seria reafirmar que a minha existência é pautada na opinião dos homens sobre a minha beleza, e aí daria no mesmo.
Sou careca porque me adoro careca!
(...)



NOTA A MARGEM

- MAS O QUE É SER VERDADERIAMENTE FEMININA?* - creio que esta resposta a temos dado ou tentado dar ao longo dos anos neste blog...sem precisar de ficar careca... nem ter cabelos esvoaçantes...
rlp


A PROPÓSITO DE UMA "TURISTA" ACIDENTAL



SEI QUE JÁ NÃO VAI LER ESTA POSTAGEM, MAS NÃO PODIA DEIXAR PASSAR EM BRANCO UMA QUESTÃO TÃO INTERESSANTE...E ASSIM APROVEITO PARA ESCLARECER AS MINHAS LEITORAS QUE TAMBÉM TENHAM ALGUMAS DÚVIDAS...

-Anónimo olivia disse...
Li a sua resposta que agradeço e não voltarei ao seu blog. Além de o ter encontrado apenas porque estou a fazer um trabalho sobre roupas e apareceu-me o seu comentário no Google , não precisarei mais dele porque o resto de que fala não é a minha matéria de estudo e você ( desculpe dizer assim mas não sei se é mulher ou homem ) toma-se muito a sério.Por mim diverti-me com esta polémica pelo que agradeço. Olivia

- Olivia, que curiosa a sua dúvida...se sou homem ou mulher!

Interessa-lhe a roupa e não a essência pois se lhe interessasse a essência da Mulher saberia que sou mulher, deste modo revela mesmo a sua indefinição...Sabe, um homem não conhece a mulher e vice-versa...e por isso não pode falar da mulher autêntica, essa, desconhecida das próprias mulheres, como me prova o seu caso, mas da mulher que ele criou/inventou tal como a moda, mais, são poucos os homens que amam de facto as mulheres reais...ou se interessam por mulheres genuínas, mas quase todas as mulheres de facto sofrem dessa indefinição e olhe eu agradeço a sua correcção que foi certamente  maior se calhar do que a minha, enfim,  ao nível da "roupagem das palavras" mas acrescento que de dentro o que define um SER...é mesmo na mulher o Útero e os ovários e no homem os testículos...assim e não nego os homossexuais, nem os bissexuais, ou até os transexuais, mas esses são apenas uma variante social e cultural, psíquica diria, do modelo considerado pela metafísica dos dois em Um: "deus macho-fêmea os criou". E não digo que cada ser não possa ser de facto, realizado, os dois em UM...mas isso é outra história que não lhe convém mesmo! Ainda bem que já não precisa voltar...mas duvido que a curiosidade feminina resista a não voltar (a não ser que pelas suas dúvidas também eu possa duvidar da sua identidade e pensar quem  não é mulher é você e ser afinal mais uma estilista "gay" ou travesti...)
Agradeço imenso a sua intervenção pois me divertiu bastante...e até me fez pensar na questão por este angulo. Felicidades para o seu trabalho. (Pena que já não leia a minha resposta...)

rleonor

Nota a margem:

Nestes  anos todos  em que escrevo neste Blog nunca ninguém me tinha colocado  esta dúvida  sobre a minha identidade de género...e eu agora, face a esta persistente dúvida da minha leitora acidental (mas que acidente!) não posso deixar de lhe dar relevo, pois nunca tinha pensado nisso. Na verdade creio que deve haver muitos homens a disfarçarem-se de mulheres ou fazerem-se passar por mulheres na Internet...como até talvez o contrário. Não sei...sempre dei a cara...e sempre fui acessível ao contacto humano quando solicitado correctamente e nunca descriminei amigas ou amigos por razões de indefinição sexual ou questões de género...mas como todos/as sabem nunca coloquei sequer a questão sexual e as suas polémicas a par da busca da essência e da verdadeira identidade da Mulher e de todo um trabalho em profundidade relacionado com a sua divisão interna das mulheres e em que batalho há anos...
A única ilacção que posso tirar desta dúvida, enfim, até pertinente, é que as mulheres não estão habituadas a pensar...e uma mulher que pense por si...passa logo por homem...
Ah! quanto ao tomar-me muito a sério, sim, levo mesmo muito a sério o SER MULHER integral e todas as mulheres que aqui passam e se sentem identificadas com a sua Essência.    
rlp

(A foto é minha, sou eu...gosto de dar a cara...e nunca tive medo de SER EU.)

A SOLIDÃO DA MULHER



 NO "AMOR" DO HOMEM...

"Há muita verdade no que dizes, o homem desinteressa-se facilmente, depois do acto do amor, depois logo sacode as penas, arrebita, passa à frente, domina outro mundo, a mulher fica fechada, acanhada nesse encontro muito íntimo, nesse seu mais fundo dos fundos, na identidade uterina com a ideia da criação, da reprodução da génese, salta, salta, forma-se na mulher a visão do caos a que só ela pelo amor pode dar uma nova regra, pelo domínio da paixão, pela companhia, para isso tem de ser compreendida, ela julga que é compreendida, tem de justificar a sua infelicidade pela compreensão do amor, de um outro amor, a mulher busca no outro amor o amor definitivo, amor que nunca aparece, é o poder fantásmico de convicção, que rompe todas as barreiras, a mulher atira-se, não sabe onde nem como, é capaz dos maiores actos de heroísmo clandestino, aparece, vai, surge, abre-se, mostra o que é o amor, a sua entrega total. "

(Ruben A., in 'Silêncio para 4')

A BELEZA FÍSICA




Ainda sobre a beleza física...há realmente mulheres com uma beleza imensa e que nem sempre é fácil de gerir pois são quase que à força catapultadas para ribaltas e palcos e nem sempre conseguem ou sabem ter essa "humildade"  em se aceitar e gerir essa beleza...tal como devia acontecer essa aceitação pela parte das mulheres menos belas...mas eu diria antes ou em vez de humildade/versus arrogância (inferioridade por ser feia ou convencimento e exibicionismo em ser bonita etc.) elas precisavam de ter essa consciência, sim A CONSCIÊNCIA da verdadeira mulher nelas e é por isso, porque falta essa Consciência da mulher integrada que é tão difícil a mulher envelhecer e ver que tudo o que é aparente é efémero...e que a mudança paulatina do corpo e da imagem é irreversível e bem real e a vida e o tempo não tem complacências com as modas ou o mercado em que a mulher se projecta.

O que eu menos suporto porém  é ver as mulheres que não são tão belas mascararem-se para o ser...e se esforçarem à força por serem como as outras e mutilarem os seus corpos para o conseguir ou usarem esses modelos e estereótipos em vez de honrar a sua própria realidade...o seu corpo verdadeiro e natural.
 

Conheço uma actriz fantástica que era uma mulher muito atraente e bela e que hoje é velha...e sei como a assedia a imagem do passado e essa projecção de si mesma...não sei se ela conseguiu aceitar até que ponto a velhice e a decrepitude do corpo, que é bem visível - sei que nunca fez nada para a alterar - mas sinto-lhe a dor e a nostalgia de ter perdido esse beleza...como se a mulher não tivesse mais nada a que se agarrar...o que por acaso não é bem o seu caso.

rlp

domingo, junho 16, 2013

A Chave que se perdeu é a Verdadeira Mulher


ABRIR A CAIXA DE PANDORA

Na filosofia pagã, Pandora não é a fonte do mal; ela é a fonte da força, da dignidade e da beleza, portanto, sem adversidade o ser humano não poderia melhorar. O nome "Pandora" possui vários significados: panta dôra, a que possui todos os dons, ou pantôn dôra, a que é o dom de todos/as (dos/as deuses/as).

...também significa a jarra (pithos) que “nada mais é que uma simples ânfora: um vaso muito grande, que serve para guardar grãos. Este vaso só fica cheio através do esforço, do trabalho no campo, seu conteúdo então simboliza a condição humana. Por consequência, será a mulher que a abrirá e a servirá, para alimentar a família.”

OUVIR A VOZ DA DEUSA, ou a voz da mulher ancestral
É OUVIR A VOZ DA TERRA, A VOZ DO ÚTERO!

Eu há dias acordei com esta frase na cabeça: a Mulher tem de voltar a ser fiel à Terra…e ser senhora de si mesma… Era um sentimento de premência e de força que me invadiu ao acordar e sentiu-o em todos os poros…Não se pode adiar o amor diz o poeta…e eu digo, NÃO SE PODE ADIAR A TERRA…ELA É A NOSSA MÃE…

Tudo depende dela, como todos dependemos da Mãe ao nascer, da sua força e poder… também agora a mulher pode e deve salvar o Planeta e empenhar-se na sua regeneração… só assim dará à luz uma nova Humanidade renascida das suas entranhas e da terra… A Terra é um corpo inteligente e nós respiramos o ar que a envolve e todos os seres vivos a respiram. A Terra é o nosso Matrimónio…o nosso Templo vivo…Nós não vivemos no Céu…é na Terra que nascemos e é a Terra que temos de honrar, ao contrário do que as religiões do deus pai dizem e que mais não fazem do que adiar a vida nas suas contingências e paradoxos…A vida plena tem as suas raízes na Terra e só sendo fiel à Terra Mãe podemos partir em paz e ascender aos céus…

E a Chave que se perdeu é a mulher. A mulher que foi apagada da história e da vida dos homens como ser individual e senhora da sua vontade…

A mulher que durante milénios cumpriu o pesado fardo de servir exclusivamente a humanidade homem na negação da sua individualidade ao serviço da espécie como mãe, mas em total sujeição ao homem. Cumpriu séculos de sujeição ao pai e ao filho. Agora é tempo de a mulher retomar as rédeas e voltar a servir a Terra e ser fiel à Deusa Mãe e a Natureza.

Por isso é urgente que a mulher acorde para si mesma, que desperte para uma nova consciência do seu SER em plenitude e para isso tem de se resgatar do fundo desse esquecimento de si mesma e do caos em que os homens a projectaram a si e à Terra…a Mulher tem de recuperar a sua memória celular, recuperar a sua identidade esquecida, a identidade que perdeu ao ceder ao homem o seu poder de cura e amor, o seu poder de amar e ser livre…o seu dom de visão e profecia, a sua alegria a mais genuína.
É inconcebível que a mulher só por ser mulher seja ainda castigada e estropiada, violada e morta nas guerras pelos homens em todo o mundo.

E fosse o que fosse que tivesse sido acordado pelas esferas superiores em relação à Mulher, nos céus ou na terra, pelos mitos ou nas histórias do mundo, nos eons, na roda das civilizações, ou nos ciclos da evolução da Humanidade, é tempo de a mulher ser respeitada por si mesma como ser individual e não colectivo e realizar o Matrimónio sagrado com a Deusa Mãe e consigo mesma, unindo-se à outra mulher-metade de si e da qual foi separada há milénios…

Durante milénios a mulher esteve submetida e incapaz de se erguer na sua natureza obedecendo aos padrões e leis do mundo apolíneo estritamente masculino na sua negação do ctnónico e do princípio feminino.
É tempo da mãe e da filha se unirem em vez de competirem entre si e lutar pelo homem. É tempo de a mulher se libertar das algemas do património e da escravidão do sexo.

É tempo de a mulher olhar para dentro de si mesma e descobrir o seu tesouro escondido, o seu tesouro sem fim, o “manancial fechado” que ela se tornou e abrir essa Caixa de Pandora, que ao contrário dos mitos que a anunciam como desgraças maiores causada pela Mulher – não pode haver maior desgraça do que a que os homens semearam na Terra – e que mais não fazem do que reflectir a milenar misoginia e medo ancestral da mulher, da sua força sensual e sexual, da seu poder magnético como fêmea, tal como o medo à força indomável da Natureza e que tanto assusta ainda os homens. Foi por esse medo e desejo de controlar o mundo ctónico que os homens reprimiram e condenaram a mulher, e a fecharam nessa Caixa de Pandora sob a ameaça de perigos medonhos... E assim, quer na religião quer o mito, fizeram pesar sobre a mulher a culpa do erro ou do pecado e dos males da humanidade, para a manter encerrada em si e calada, para a manter agrilhoada e incapaz de se defender ou agir por si mesma.

AO contrário do que muitos “espiritualistas”, guias e mestres antigos e modernos afirmam, não é verdade que a mulher sem caminhar no seu próprio caminho de retorno a si mesma, ao seu Útero e à Terra, para celebrar as suas núpcias secretas consigo mesma, possa evoluir e ser “igual” ao homem – não, eu não quero ser igual a este homem desnaturado - que quer ascender aos céus e ao cosmos, negando a sua natureza ctónica e a Mãe que o mantém no ventre o alimenta e lhe deu vida na Terra…

A mulher tem de reivindicar as forças telúricas para que ela e a terra sejam respeitadas, a Terra como um ente vivo, biológico e inteligente e não ser tratada como objecto de posse do homem cuja arrogância o leva a crer-se dono do mundo tendo-o dominado pela força e pela violência. Milhões de seres humanos mortos pela sua conquista de poder e acumulação de riqueza…

O Homem que desventra a Terra para lhe sugar o seu “sangue”…O Homem que explora a mulher como mãe dos seus filhos ou a prostitui, e a viola como despojo de guerra…

- A Mulher tem de descer ao abismo do seu ser ctónico, descer às raízes da Terra Mãe, mergulhar no seu Útero caverna gruta oráculo de Delfos, o umbigo da Terra Mãe e reclamar essa voz que se perdeu nos confins dos tempos…a voz das pitonisas, das sacerdotisas e feiticeiras e das Eríneas que eram deusas ao serviço da Mãe, e que por veredicto de Atena – a filha do pai - são transformadas em megeras e monstros, “bruxas” condenadas como criaturas pérfidas e mortíferas…

- A mulher que se encontra a si mesma, a mulher que acorda para o seu poder interno, torna-se na guardiã que mantêm os segredos da vida e da morte e não os teme e por isso é a mulher que tem de acordar os seus poderes para assim poder curar as suas próprias feridas e as do mundo… as feridas das mil batalhas e das guerras, as feridas das armas e das bombas, dos desastres nucleares, da violência perpetrada com que o Homem a feriu no seu ventre e a ofendeu de morte – tanto à mulher como a Terra – tal como matou em si o seu feminino tornando-se no déspota e no assassino… Ele fez da mulher a primeira escrava e depois o homem inferior… o escravo fraco também… dividiu o mundo em partes e dividiu as mulheres em escravas concubinas e meretrizes… Esse mundo que fez a cisão da mulher em duas espécies é o culpado da divisão hierárquica do mundo e a exploração de seres humanos em todo o planeta.

ROSALEONORPEDRO
 

COMO UMA MEGERA...

 
 
 
Uma leitora acidental aqui no blog comentou que eu fui muito violenta numa resposta que lhe dei e que aqui se encontra publicada juntamente com a dela....
Mas  eu fiquei a pensar, entre outras coisas e uma delas é que estou mesmo cada vez mais intolerante com o discurso "politicamente correcto",  muito amável e respeitador da opinião alheia, como é que o ser directa e clara leva as pessoas a pensarem em violência...Isso também me fez pensar em como as pessoas são dissimuladas e mentem...a si próprias, e nunca dizem efectivamente o que sentem e quando o fazem é com cinismo ou "didacticamente", como quem quer ensinar alguém...aquilo que elas próprias não sabem. E assim o mundo está cheio de mestres e professores, psicólogos e doutores...todos muito doutos...e muito doentes... 
 
E note-se, eu já não estou a falar da dita senhora...estou a falar no geral...na forma como em sociedade nós falamos com as pessoas  tão longe daquilo que verdadeiramente sentimos e somos!
Mas confesso que fiquei um pouco preocupada...não quero ser violenta, claro. Mas quanto mais envelheço, menos sinto que tenho paciência para simulacros de bondade e risos mal disfarçados, complacências que escondem raiva, e entre mulheres isso agrava-se, de facto, as santinhas escondem sempre alguma perfídia e são aleivosas, perversas por vezes, pois é com "bondade e amor e as melhores intenções" que dão as facadinhas nas costas da "outra" (a rival potencial) ou na relação seja ela qual for...
 
Estou a ficar velha rezingona, implacável...porque, quer queira quer não... vejo tudo o que os outros/as não vêm...ou que disfarçam; é muito incómodo mesmo! Mas paga-se o preço. E eu prefiro não ter amigas...dessas!
Não há já lugar para falinhas mansas nem paninhos quentes...ou é verdade ou mentes...e com cada uma de nós passa-se o mesmo. Não é tempo de atenuarmos ou compactuarmos com esta mentira ancestral do "bom convívio" (simulado) em sociedade e particularmente entre mulheres. Queremos verdade e sinceridade e não risinhos histéricos, formalismos ou sermões...de facto!
 
Quanto a mim...Sinto-me uma megera, mesmo, em carne em osso...mas espero que não fiquem com medo de mim!!! Não mordo...
rlp

NÃO HÁ MUITOS HOMENS QUE GOSTEM DE MULHERES...



As Mulheres São Mais Fortes, diz o autor... 

"Para começar, gosto das mulheres. Acho que elas são mais fortes, mais sensíveis e que têm mais bom senso que os homens. Nem todas as mulheres do mundo são assim, mas digamos que é mais fácil encontrar qualidades humanas nelas do que no género masculino. Todos os poderes políticos, económicos, militares são assunto de homens. Durante séculos, a mulher teve de pedir autorização ao seu marido ou ao seu pai para fazer fosse o que fosse. Como é que pudemos viver assim tanto tempo condenando metade da humanidade à subordinação e à humilhação?"

José Saramago, in 'L'Orient le Jour (2007)'

sábado, junho 15, 2013

HÁ MULHERES QUE PENSAM



DEIXO-VOS UM COMENTÁRIO LÚCIDO...

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "DIZEM, JÁ NÃO HÁ MACHISMO...":

Muita coisa falta para dizer, escrever. A conclusão que se chega, é que houve uma manipulação tão bem orquestrada, e sempre isto ocorre dentro de um pano oculto e muito lentamente... julgo que cada mulher, só se apercebe e muito lentamente quando passa por alguma situação grave ou crise profunda que a leva a abrir os horizontes. Contudo o grave é seguir a regra da sociedade - homem e valores, cultura e, seguir os preceitos masculinos instituídos funcionando como igual, como se tivesse um pénis entre as pernas, um coração de homem entre os seios - cujo corpo feminino não tem mais valor. Ela, apenas alberga dentro, todos esses conceitos que fazem um homem actuar no meio -. Além disso, é o próprio homem que está criando mulheres machas (na actual sociedade) e não percebe isso!! Tal a ceguez...
Obviamente que, como já lhe disse, há uma máxima que tem origem numa determinada classe, de que perdoa-se o pecado, mas não o escândalo. Que é por estas travessas e portas que a mulher deixou de ser elemento fundamental à vida para ser escrava... contudo, o escândalo vai mais longe, quando há problemas de cariz maior, é à Nossa Senhora, à Virgem Maria a quem todos rogam, como se ela tivesse o PODER e a CURA e a RESPOSTA e a DIRECÇÃO. Isto é contraditório entre uma ORAÇÃO a uma Figura FEMININA - MULHER e o trato generalizado, tanto ocidental como oriental no dia- a - dia de que a mulher é um demónio, um ser a quem não merece pertencer à esfera social (mas que é apetecível para ser comida - fodida de todas as formas ) - quando é, não há muitos valores femininos inscritos, mas sim o padrão ocidentalizado do patriarcalismo nessa mulher, apenas uma cópia e que compete com os homens de igual para igual -. Ora, e não percebem que todo esta sociedade tal como foi concebida, está em decadência total e continuam a exigir os mesmos valores de canibalização.

É ESTA NEGAÇÃO AO ESCÂNDALO QUE TODOS OS PECADOS SE PERPETUAM, OU SEJA, A MORDAÇA NA BOCA QUE IMPEDE UMA MULHER DENUNCIAR ESTUPRO E ESCREVER sobre os sentimentos que sentiu e ao mesmo tempo, já que, É a vitima tem em seu poder, o elemento fundamental, que é descrever a mente do predador ou violador! Isso nunca ninguém viu, porque a vitima está sob a influencia do medo que foi semeado e invocado pelo predador... daí que ninguém queira ouvir a vitima, apenas o vilão... só que a resposta, não está no predador como todos ousam querer fazer acreditar!!
CONHECE-SE O PREDADOR PELA VÍTIMA, E NÃO O PREDADOR PELO PREDADOR!! PORQUE SE só há interesse em ouvir o predador e o esquema que ele engendra, então, estamos perante uma sociedade que pretende apenas mais poder para destruir... usa o predador para extorquir-lhe elementos sádicos, para fabricar mais sadismo!! Resumindo, estamos vivendo numa sociedade cancerosa. Em que as exclamações ao bem de todos, às defesas dos velhos e mulheres e crianças não passa de um grande jogo para iludir!!
Cláudia, tem razão... e faz ela muito bem em escrever sem papas na língua, em nome de um desvelamento das dores... nada melhor que ela, que foi estuprada para poder escrever sobre isso... a experiência na própria pele tem outra dimensão!!

Moi, Lulu...

DIZEM, JÁ NÃO HÁ MACHISMO...

“Do you know what it feels like for a girl?
Do you know what it feels like in this world?”

Madonna

"Aconteceu ontem. Saio do aeroporto. Em uma caminhada de dez metros, só vejo homens. Taxistas do lado de fora dos carros conversando. Funcionários com camisetas “posso ajudar?”. Um homem engravatado com sua malinha e celular na mão. Homens diversos, espalhados por dez metros de caminho. Ao andar esses dez metros, me sinto como uma gazela passeando por entre leões. Sou olhada por todos. Medida. Analisada. Meu corpo, minha bunda, meus peitos, meu cabelo, meu sapato, minha barriga. Estão todos olhando."
 

Quantas violências eu sofro só por ser mulher?
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Na infância, fui impedida de ser escoteira pois isso não era coisa de menina. Fui estuprada aos oito anos. (Eu e pelo menos dois terços das mulheres que conheço e que você conhece sofreram um estupro e provavelmente não contaram para ninguém.) Sofri a pré-adolescência inteira por não me comportar como moça. Por não ter peitos. Por não ter cabelos longos e lisos. Desde sempre tive minha sexualidade reprimida pela família, pela sociedade, pela mídia. Qualquer coisa que eu pisasse na bola seria motivo para ser chamada de vadia. Num dos primeiros empregos, escutei que mulheres não trabalham tão bem porque são muito emocionais e têm TPM. Em um outro emprego, minha chefe disse que meu cabelo estava feio e pagou salão para eu ir fazer escova e ficar mais apresentável pros clientes. Decidi que não quero ser escrava da depilação e sou olhada diariamente com nojo quando ando de shorts ou blusinha sem mangas. Já usei muita maquiagem, só porque a televisão e os outdoors mostram mulheres maquiadas, e portanto é muito comum nos sentirmos feias de cara limpa. Você, homem, sabe o que é maquiagem? Tem um produto para deixar a pele homogêna, um pra disfarçar olheiras, outro para disfarçar manchas, outro para deixar a bochecha corada, outro para destacar a sobrancelha, outro para destacar os cílios, outro para colorir as pálpebras, outro para colorir os lábios. Quantas vezes você passou tantos produtos na sua cara só porque seu chefe ou seu primeiro encontro vai te achar feio de cara limpa? Quando estou no metrô preciso procurar um cantinho seguro para evitar que alguém fique se roçando em mim. Você faz isso? Quando vou em reuniões de família, me perguntam por que estou tão magra, e o que fiz com o cabelo e quem estou namorando. Para o meu primo, perguntam o que ele está estudando e no que está trabalhando. Na televisão, 90% das propagandas me denigrem. Quase nenhum filme me representa ou passa no teste de Bechdel. Todas as mulheres são mostradas com roupas sexy, mesmo as super heroínas que deveriam estar usando uma roupa confortável para a batalha. As revistas me ensinam que o meu objetivo na cama é agradar o meu homem. Enquanto você, menino, comparava o seu pau com o dos amiguinhos, eu, menina, era ensinada que se masturbar é muito feio e que se eu usar uma saia curta não estou me dando o respeito. Quanto tempo demorei para me desfazer da repressão sexual e virar uma mulher que adora transar? Quanto tempo demorei para me soltar na cama e conseguir gozar, enquanto várias das minhas colegas continuam se preocupando se o parceiro está vendo a celulite ou a dobrinha da cintura e, por isso, não conseguem chegar ao gozo? Quanto tempo demorei para conseguir olhar para um pau e transar de luz acesa? Quantas vezes escutei, no trânsito, um “tinha que ser mulher”? Quantas vezes você fechou alguém e escutou “tinha que ser homem”? Tudo isso para, no fim do dia, ir jantar no restaurante e não receber a conta quando ela foi pedida pois há cinco mil anos sou considerada incapaz. E tudo isso, porra, para escutar que estou exagerando e que não existe mais machismo.
Isso é um resumo muito pequeno do que eu sofro ou corro o risco de sofrer todo dia. Eu, mulher branca, hetero, classe média. A negra sofre mais que eu. A pobre sofre mais que eu. A oriental sofre mais que eu. Mas todas nós sofremos do mesmo mal: nenhum país do mundo trata suas mulheres tão bem quanto seus homens. Nenhum. Nem a Suécia, nem a Holanda, nem a Islândia! Em todo o mundo “civilizado” sofremos violência, temos menos acesso à educação, ao trabalho ou à política.
Em todo o mundo, somos ainda as irmãs de Shakespeare.
* * *
E você, leitor homem? Quando é abordado de forma hostil por um estranho na rua, pensa “por favor, não leve meu celular” ou “por favor, não me estupre”?

http://papodehomem.com.br/author/claudia-regina/

sexta-feira, junho 14, 2013

A MULHER ESCRAVA DA MODA

ESTÁ-SE MESMO A VER QUE ROBERTO CAVALLI "ADORA MULHERES"...

"Um comunicado de imprensa, enviado por Roberto Cavalli, com a imagem de Beyoncé a usar um dos seus vestidos tem estado no centro das atenções dos media e dos fãs da cantora, indignados com a imensa manipulação digital que a figura da artista sofreu.
A estrela voluptuosa, cujas curvas são quase tão conhecidas como a sua música, aparece na imagem do comunicado de imprensa extremamente magra, estando as diferenças entre a sua imagem real e a divulgada a causar grande controvérsia um pouco por todo o mundo.
Já são, inclusive, vários os comentários publicados no Facebook da Cavalli por fãs chocados, que alegam que a imagem digitalmente alterada retrata um ideal irrealista.
“Por que fazer um esboço que, obviamente, não reflete a sua forma?”, questiona um fã, com muitos outros a partilhar a sua dúvida: “Se é suposto ser um esboço da Beyoncé, por que não desenhar a Beyonce em vez de uma imagem imaginária que se encaixa no status quo de uma aparência doentia de modelos de passerelle?”
Os representantes do estilista já deram, entretanto, uma resposta aos fãs indignados: “Gostaríamos de clarificar que a imagem do vestido criada por Roberto Cavalli para a Beyoncé é um esboço e não uma fotografia, e, como tal, reflete apenas uma visão estilizada e artística. O Roberto Cavalli adora mulheres e, mais do que qualquer outra pessoa, sempre exaltou e destacou a forma feminina com as suas criações, construindo o seu estilo sob a glorificação da sensualidade e feminidade".
Confere aqui o esboço de Beyoncé feito por Roberto Cavalli:
Confere aqui uma fotografia de Beyoncé a usar o mesmo vestido na digressão Ms Carter:
Recorde-se que Beyoncé já provou, em ocasiões anteriores, ser contra o retoque das suas fotografias. Na semana passada, por exemplo, ordenou aos executivos da H&M a remoção total das suas fotografias alteradas, onde surgia com menos curvas. A empresa concordou, substituindo as imagens alteradas pelas originais, que fez acompanhar pela seguinte afirmação: “A nossa intenção sempre foi retratar a Beyoncé como a mulher forte e bonita que ela é. Tem sido um bom processo de trabalho, em estreita cooperação. Ambas as partes estão contentes com as imagens”.
 
NOTA A MARGEM - Para quem me acha moralista e puritana...de certeza que concorda com estas aberrações dos costureiros...e este nem precisa de ser gay...para  transformar as mulheres com formas generosas em barbies...

 

A BELEZA DA MULHER NÃO PRECISA DE ARTIFÍCIOS


A BELEZA NATURAL...

Uma mulher  bonita e sensual que o seja naturalmente é um dom da natureza...não precisa de artifícios nem de modas... e uma mulher que não tem nada de bonita nem de sensual...também. Só que terá outras faculdades despertas...e poderá sempre ser ou inteligente ou mágica ou a sua beleza interior e a sua força ser tal que magnetiza tudo e todos...a questão é mesmo e fundamentalmente de se ser como e quem se é...Esta questão é crucial para que a  mulher se aceite como é e não precise de se mutilar ou esquartejar o seu corpo e o seu rosto para parecer o que a moda lhe impões como bonita...
Penso que toda a mulher que faz por seguir esses estereótipos de beleza exterior se perdem do seu próprio poder, tanto as feias por quererem ser bonitas como as bonitas por quererem ser modestas e humildes...e se esconderem ou se exibirem só por  isso!
Há que SER MULHER e aí é que bate o ponto, porque quando a mulher é UMA MULHER INTEIRA ela tem esse poder inato, ela tem esse magnetismo, ela tem essa BELEZA incrível que vem de dentro, essa LUZ   - e se é bela fora, então temos uma Deusa...e deus sabe porque a concebeu.
O que eu detesto é o forjar de imagens e tentarmos ser por medida o que não somos...cada uma de nós tem uma força única...que pode ser no sorriso, no gesto, no olhar, na andar ou no abraçar...
NÃO NOS FALTAM DONS DA NATUREZA.

rlp

O PODER DA FECUNDIDADE E DE DAR VIDA


 

A NEGAÇÃO DA MULHER…

“O termo homo sapiens (literalmente homem conhecedor ou homem inteligente) é um belo exemplo do chauvinismo dos nossos sábios. Neste caso, isso chega mesmo ao ponto da negação total da existência de mulheres na espécie assim definida. Contudo, se os homo sapiens não tivesse sido senão isso, há muito tempo que eles teriam desaparecido, incapazes de se reproduzirem…”

in QUANDO DEUS ERA MULHER – M. M.
 
 
A Mulher é a fonte da vida. É ela que  ampara e suporta  o homem desde que nasce até que morre, é ela que o inicia ao  AMOR e o ensina na VIDA, desde que nasce. 
O drama das nossas sociedades caóticas e em crise é essa mulher já não existir…há muito, é essa mulher ter sido apagada da História dos homens. Por isso a mulher moderna não tem a mínima ideia da mulher ancestral, dessa mulher forte e inteira que desapareceu da face da Terra e deixou de fazer parte da humanidade há centenas de anos para dar lugar a uma mulher fraca submissa e travestiada,  dividida em dois estereótipos ou mais, explorada, violada, abusada moralmente e psicologicamente cada dia da sua vida, na rua, no trabalho, ou em casa...mas ela aceita e cala...acha normal... 
A mulher moderna dentro desse paradigma foi-se tornando aos pouco num ser vazio e amorfo, sem voz, sem vontade, um ser sem vida própria, uma mulher que se copia de uma cópia com que  a formataram os homens; tão diferentes da mulher dos primórdios, da mulher original, da mulher egípcia e da mulher celta, cuja dignidade era o seu apanágio e liberdade,  essa mulher que é  nossa ancestral foi inteiramente esquecida e esmagada, apagada das escrituras ditas sagradas, dos manuais de história e da própria língua falada. Não se diz Mulher mas o Homem no sentido da Humanidade. A mulher aceita essa aglutinação do seu ser e fala e repete e imita o homem em tudo...
A mulher moderna, supostamente emancipada, a intelectual a escritora, a académica, ou a catedrática, aceita este apagão, não se questiona, ela é a serva do Sistema, defendo-o, contra ela mesma. Ela não se relaciona com essa mulher total, primordial, a antiga sacerdotisa, a profetisa, a vidente, a curadora, a parteira, a Mãe amante e livre, a Mulher integral, não dividida, a mulher consagrada, ela nega-a…e ri-se da ideia da Deusa na Mulher…e quando eu evoco essa MULHER que há de vir, que é a mulher que vem do Futuro chamam-me moralista...ou puritana reacionária ou  androfóbica... já estou habituada...
 
Nota:
A imagem da Deusa de Willendorf não é propriamente um modelo 36...nem  100...e juro que não estou a promover uma outra imagem da mulher à sua imagem... mas a libertá-la dos espartilhos da moda...que já não apertam com cordões...mas com dietas e operações de estética...

 

UMA LEITORA ACIDENTAL...


 


"Fatima Mernissi diz que o harém da mulher ocidental é o tamanho 36."

 COMENTÁRIO DE UMA LEITORA ACIDENTAL...
(os acidentes acontecem)

Olivia Barbosa deixou um novo comentário na sua mensagem "É A MODA FEMININA GAY?":

“Ora bem encontrei o seu blog por acaso, e li o seu comentário e fiquei um bocadinho desiludida por isto:
1.Cada mulher é que sabe como se sente melhor. Reações como a sua estão em grande forma no médio oriente em que, com argumentos semelhantes aos seus , as mulheres são obrigadas a usar lenço e umas capas para não mostrarem as formas.

2.Não é verdade que os estilistas sejam todos Gay , e muito menos que os Gay odeiem mulheres.Isto são afirmações abusivas e muito fáceis. Muitos estilistas são mulheres hetero e homo e não fazem diferente.

3.Finalmente não gosto de moralismos. O seu parágrafo final é puritano e moralista. Nenhum de nós sabe o que é o ideal para o outro, por isso, do meu ponto de vista, o ideal é preocupar-nos com quem não tem liberdade para escolher e não dar sermões a quem a tem.”

Olívia Barbosa

 

Ora bem...vamos lá ver as suas questões...a que não vou responder a sério, porque você também não me leu a sério nem me conhece de lado nenhum e só se baseia neste pequeno texto…

1º Não se trata de modo algum de moralismos, e acusar de moralismo quem se atreve a mudar o discurso mediático ou a questionar o "politicamente correcto" do consumismo geral de ideias e roupagens, então esse meu moralismo só pode ser medido pela bitola do seu próprio moralismo, amoralismo, imoralismo?...não sei e além do mais essa sua leitura é uma leitura muito redutora de uma ética séria  e já agora também de uma estética verdadeira...

2ª As mulheres estilistas entram de uma maneira geral dentro do mesmo padrão/estereótipo   dos gays ...como se a mulher tivesse uma medida...sim, a moda é grosso modo a moda  ou de gays ou de mulheres… "travestis" – a mulher é vestida ou veste-se  em função do imaginário masculino - e é a da mulher sob MEDIDA...ou não é? Onde é que ficam as gordas, as cheiinhas, as velhas e as magras sem medida certa?
SE calhar você pertence ainda a esse Harém de que fala Fatima Mernissi que diz que “o harém da mulher ocidental é o tamanho 36", isto em resposta à sua maldadezinha de comparar os meus argumentos aos do oriente etc. E depois olhe, sinceramente, já não tenho paciência para modernices e sabe, minha cara, já vivi e conheço muito bem o mundo de que estou a falar e falta-me paciência para os seus argumentos...se não gosta, em bom português, “ponha a beira do prato”... Ninguém a convidou a entrar onde não é chamada…ou então pense por conta própria e reveja os seus próprios conceitos...e os lugares comuns da moda actual de pensar moderna – que é não pensar nada, mas seguir a moda do que está na moda…numa pretensa liberdade etc...

Acho que terá de chegar aquela idade ou aquele tamanho em que já não é modelo de nada nem usa 36... para perceber do que eu falo! De qualquer modo esta é a nossa liberdade, dizer-se o que se pensa e fazer pensar. Se pensa ao contrário tudo bem. Mas em nome de quê então vem se queixar dos meus sermões? Não a conheço de lado nenhum nem você a mim. E se publiquei o seu comentário foi para lhe poder responder...podia tê-lo simplesmente ignorado, mas não receio que quem me lê e já me conhece me julgue aquilo de que você me acusou...
E passe bem...
Porque este espaço dá para tudo e para todos/as e há quem goste e perceba do que eu falo.

Rosa Leonor Pedro

quinta-feira, junho 13, 2013

A DUPLA ESSÊNCIA


MASCULINO E FEMININO

"A dupla essência, masculina e feminina, de Deus - a Cruz.
O mundo gerado, A Rosa, crucificada em Deus" 

 

“No Quinto Império haverá a reunião das duas forças separadas há muito, mas de há muito aproximando-se: o lado esquerdo da sabedoria – ou seja a ciência, o raciocínio, a especulação intelectual; e o seu lado direito – ou seja o conhecimento oculto, a intuição, a especulação mística e cabalística.”

Fernando Pessoa

É A MODA FEMININA GAY?


 
A PROPÓSITO DE ESTEREÓTIPOS...
e da moda...

Muitas são as mulheres que se vestem e portam como vampes, tentando imitar as mulheres sexy...e independentemente do corpo que têm, põem mini-sais, roupa apertada...etc...quase sempre sem ter qualquer noção do seu corpo nem de estética, sem sequer verem que saem desfavorecidas; para mim as mulheres que seguem a moda à risca portam-se como travestis...escondem e negam a sua imagem de mulher real e projetam-se nos estereótipos da moda e num erotismo fictício que nada tem de sensual nem de verdadeiro...
 
É triste ver como as mulheres em geral seguem esses estereótipos, ou então como vestem essa roupa criada para corpos sem forma e de garotas, como se isso as valorizasse ou tornasse atractivas aos olhos dos homens, quando na verdade tantas vezes resulta em grotesco e as torna, ao contrário do que pensam, ridículas, feias...vulgares...e muito pouco sensuais...
Convém...
não esquecer que a moda é quase toda feita por estilistas Gay que à partida e inconscientemente odeiam a mulher ou então têm uma inveja enorme de tudo o que é feminino e do seu corpo  que a define  e por isso tudo fazem para o anular ou mutilar de seios e ancas, identidade, etc. Os modelos são na aparências rapazes...raramente uma modelo representa a mulher em si. Enquanto que as vampes e mulheres sexy correspondem mais ao imaginário do homem em geral, o da mulher fatal e vestida para "matar"...a mulher de vermelho etc. mas que é o único que os travestis e os queer adoptam quando querem virar mulheres...
A maneira como uma mulher se veste ou se adorna é um aspecto muito importante na sua vida  e por isso merecia muito mais cuidado da sua parte e não de excesso de plásticas nem cosméticos, mas em geral a grande maioria das mulheres ignora a sua realidade e o seu corpo pois são constantemente pressionadas pela publicidade e marcas e tentam a todo o transe caber na imagem do modelo, jovem e magro, que não é de todo a delas.... pois falta-lhes o bom senso para escolher e quase sempre falta-lhes um estilo ou gosto pessoal. O ideal seria vestirem-se de acordo com o seu corpo, com a sua idade, o que resulta muito mais belo e digno do que essas roupas supostamente sofisticadas e caras...ou a sua imitação compradas nas lojas dos chineses...se bem que hoje em dia todas as marcas mesmo as mais caras sejam feitas na China por mão de obra barata quase sempre crianças exploradas...o que é outro aspecto da "moda"... 
 
rosaleonorpedro

terça-feira, junho 11, 2013

A DIVINA ARTE

 
 
 
QUANDO UM HOMEM É HOMEM SABE...
 
 
A mulher é a divina arte que nada imita mas explica a Divindade com símbolos. A mulher representa a mais elevada beleza de Deus. O amor a manifesta, o desejo mata-a. A mulher é o mais formoso pensamento do Absoluto que deve ser captado pela inteligência e não pelos olhos.

A mulher é a lei da Beleza e a lei deve ser obedecida, não infringida. A mulher é a religião da Natureza, cuja moral deve ser sentida e não murmurada. Deus é uma palavra misteriosa e a mulher seu significado.

Para conhecer a Deus é preciso conhecer-se a si mesmo. Para estudar sua Natureza é preciso estudar a mulher. O Absoluto só se manifesta através da Natureza. O homem só se manifesta através da mulher.

O homem precisa da mulher para sua liberdade. A mulher é o ponto de apoio sobre o qual o homem pode levantar o mundo. O homem em Deus é a Justiça; a mulher n'Ele é a misericórdia.

A mulher é a Árvore da Ciência do Bem e do Mal cujos frutos causam a morte ao libertino e vida aos parcimoniosos e prudentes. Ninguém se atreve a divulgar este segredo porque dele emana a morte.

Muitas vezes, porém, a ignorância é pior que a morte. Pode ser que o conhecimento conduza à loucura, na Sabedoria, produz o gênio. Existem cores e sons, o Amor é o segredo que os combina. Quem não sabe combiná-los é um morto-vivo e quem os combina ignorantemente estoura sua retorta.


Jorge Adoum (Mago Jefa)
VIA Fernando Augusto

segunda-feira, junho 10, 2013

UMA MULHER MATRIZ


EM BUSCA DA MULHER INTEGRAL:
"casar as duas Marias"
OS PONTOS DE VISTA SÃO TODOS DIFERENTES

E cada uma de nós MULHERES situa-se num desses pontos que adopta e defende. Aqui eu defendo logicamente o meu ponto de vista porque o considero essencial para a mulher moderna...

Queria com isto apenas dizer  e alertar para o facto de que eu tenho um ponto de vista diferente; que o meu ponto de vista muitas vezes não responde à visão comum das mulheres sobre as questões  que as concerne  nem à visão que as  próprias mulheres tem de si e que eu sei isso perfeitamente...
Eu parto para as minhas análises muitas vezes dessa visão singular e não de um entendimento intelectual ou psicológico apenas da mulher em si, a mulher de hoje que é fruto quase exclusivo de um estado social e político e não de uma mulher matriz. É uma mulher feita pelo homem e não uma mulher que nasce mulher...Porque a Mulher nasce mulher e só depois, por educação  é dividida ou desconstruída de acordo com os padrões e os papéis que lhes destinam...ou de esposa e séria ou de prostituta e livre...(grosso modo). 
Quando falo da mulher, penso na MULHER integral, aquela que ainda não é, na mulher ontológica e não a confundo com a mulher social e política, fruto desta sociedade patrista, falocrática e machista que a dominou e programou de forma redutora, baseada a sua vida em sociedade na divisão da mulher em duas espécies de mulheres à partida, uma divisão basilar que dá origem a múltiplas divisões a partir dessa divisão fulcral.

Essa divisão fulcral ou essas duas mulheres dividias em si mesmas, correspondem hoje a uma fragmentação cada vez maior das mulheres em geral que se desmembram a partir de um centro fulcral e que se estende aos extremos da concepção alargada do que é a mulher "santa e a pecadora". A sociedade moderna e  mediática inventou muitos termos para designar as mulheres dentro dessa divisão de modo a que já nem se perceba qual é ela. Quero dizer que a nossa sociedade por já nem se aperceber dessa divisão intrínseca e social e psíquica na mulher, que gera as duas espécies de mulheres básicas, (a santa e a pecadora) porque cada uma delas sofreu uma extensa variedade de formatações, mas que derivam de cada uma dessas partes em questão mas que culturalmente se escamoteia e branqueia como questão essencial...dentro de um espírito de libertinagem dentro de uma suposta  democracia que banaliza e explora o corpo da mulher como um produto de consumo...ou de reprodução, tal como as sociedade comunistas e actuais fizeram e continuam a fazer da mulher e ela aceita passivamente e sem consciência para se defender. Por isso é urgente unir em nós conscientemente esses fragmentos de mulher dividida em estereótipos e CASAR AS DUAS MULHERES...

"No cristianismo tradicional, as falsas divisões deram-nos duas personagens: a Virgem Maria e Madalena. Claro, para que uma cristã se sentisse realizada, estas duas personagens deviam ser unidas - e não polarizadas - na sua psique. A Virgem Maria foi desprovida da sua sexualidade conservando a sua espiritualidade, enquanto que Maria Madalena foi despojada da sua espiritualidade ficando apenas com a sua sexualidade. Ora cada uma delas devia aceder à sua plenitude. É o que eu chamo "casar as duas Marias"... *

*Tori Amos - in Os Segredos de Maria Madalena, ed. Via Medias, 2006