segunda-feira, fevereiro 02, 2015

HÁ MULHERES QUE ESCREVEM COMO SE VESTEM...





Não é fácil nascer mulher num mundo regulado à imagem dos homens...é um esforço tremendo, sobretudo para as que cedo tomam consciência da injustiça brutal a que são sujeitas por todos os lados. O modelo praticado ao longo de séculos é demasiado forte para uma mudança exterior rápida e eficaz, só vejo um caminho é a nossa mudança interna, o aprendermos a nos sentirmos bem com o que somos e o que temos independentemente do que o(a)s outro(a)s pensam, pois nós sabemos que o mod...elo patriarcal matou a DEUSA para nos dar de presente um DEUS sem útero!...O caminho está na nossa união interna, a santa e a cabra, a senhora e a prostituta como muitas vezes refere Rosa Leonor Pedro.

Há mulheres que escrevem como se vestem, para corresponder ao modelo que os homens projetaram ela. Enquanto as mulheres não alcançarem a consciência da guerra que a humanidade trava desde que os livros de história a ela se referem, tem poucas possibilidades de sair do controlo do patriarcado.
Não há situação mais difícil de lidar para uma mulher plena do que a consciência de que a maioria das mulheres, mesmo e sobretudo as que se julgam independentes e livres do poder masculino, são completa e estupidamente dominadas pelo interesse masculino. O interesse em ter à sua disposição mulheres auto-suficientes, que se vestem para lhes agradar, escrevem, trabalham, movimentam-se, vivem de uma forma ou de outra, para lhes agradar. Temos ainda as que se vestem, andam, falam, escrevem e vivem, como homens, de forma lógica e racional colocando as suas emoções de lado e abdicando da sua essência feminina, preço que pagam para ser iguais em direitos e oportunidades aos homens.
A maternidade é um acidente na vida destas mulheres, não um privilégio e um toque divino nas suas vidas terrenas. Elas abdicam de todo o poder feminino para aceder ao poder dos homens. O poder do dinheiro, das coisas. Essas são o resultado mais aperfeiçoado do projeto masculino para a humanidade. Úteros sem magia, sem amor. Úteros máquinas, que engravidam no intervalo para o almoço e criam os filhos aos fins de semana entre as idas ao supermercado e os filmes para adultos na tv. Enfim a maternidade, o poder da criação foi-lhes extorquido em troco de uma traiçoeira e falsa igualdade de oportunidades. Algumas e a maior parte sem consciência, sentem-se orgulhosas pelas suas carreiras profissionais de sucesso quase sempre atingidas à custa de grandes sacrifícios pessoais e de lutas desiguais entre os seus pares homens.

Ana M. F.  M.
 

1 comentário:

Ana Nazaré disse...

NOSSA, muito bom !!! Escrevem, trabalham, andam, falam....